Tema: Internet

Cães sendo usados como iscas de tubarão?

A história é comovente: pescadores franceses usam cachorros e gatos como iscas vivas para pescar tubarões. A foto também é bem comovente e apelativa, às vezes apresenta um cão com os lábios superiores no anzol, em outra o anzol está nas narinas do animal.

Pesquisando sobre a história que está sendo (novamente) espalhada, dessa vez pelo Facebook, com uma petição para que esse absurdo acabe, eu descobri que a história não é totalmente mentirosa. Mas também não é toda verdade.

cachorros usados como isca de tubarão

Cachorros e gatos, vivos ou mortos

Há bastante tempo, em 2005, as autoridades foram alertadas sobre a utilização de cães e gatos, vivos ou mortos, como iscas de tubarão. Isso aconteceu numa pequena ilha afastada da costa africana, território francês, chamada Réunion. A prática, considerada ilegal e totalmente proibida, era obra de alguns pescadores amadores, que se aproveitaram do fato de que cães e gatos eram considerados uma “praga” na pequena ilha (havia superpopulação desses animais), para capturá-los e utilizá-los dessa forma. A maioria dos animais era abatida antes da pesca.

O fato foi denunciado às autoridades e divulgado pela imprensa, atingindo um nível tão grande que envolveu o governo francês, entidades protetoras dos animais internacionais e até mesmo a Família Real Britânica.

Na ilha de Réunion, como em diversas partes do mundo, maltrato de animais é crime, e nesse caso específico, até mesmo a pesca de tubarões é ilegal e proibida, não importa o tipo de isca utilizados. Assim, esse caso, embora real, foi tratado como um caso isolado, praticado por um grupo muito pequeno de pescadores amadores, totalmente coibido e sem registros de que tenha voltado a acontecer.

A parte mentirosa da história

Boa parte das fotos divulgadas, principalmente as que ilustram esse texto, são montagens ou meias-verdades. A mais famosa e principal, do labrador, não é montagem. No entanto acredita-se que o cão, que se tratava de um animal de estimação e que fora encontrado com o gancho nos lábios superiores, seja vítima de um acidente com o gancho, podendo ter sido provocado por ele próprio.

A principal justificativa é ele ter sido encontrado livre e com vida, mas também pelo fato de que um anzol preso nessa parte do corpo do animal não teria o efeito esperado para ser utilizado como isca, já que o mínimo movimento mais bruto poderia fazer a pele rasgar e o anzol se desprender. Isso também derruba a teoria de que ele teria escapado dos pescadores, pois o gancho não apresentava sinais de ter sido forçado.

A segunda foto, do filhote com gancho do anzol no nariz, é montagem.

Conclusões sobre a história dos cachorros usados como isca

  • A história é verdadeira, mas foi um caso isolado e criminoso, não uma prática, como as pessoas queriam fazê-lo acreditar
  • Boa parte das imagens usadas para divulgar a prática são falsas, montagens toscas ou meias-verdades
  • As autoridades já puniram e coibiram os atos de 2005 e nenhum outro caso foi registrado desde então
  • Divulgar essa história só vai causar confusões e aumentar a mentira ainda mais, por isso:
    NÃO COMPARTILHE, NÃO ACREDITE ANTES DE PESQUISAR

Um ano sem Internet

Paul Miller tinha um desafio: ficar um ano sem Internet. No início tudo são flores, mas e no final? Você conseguiria? Você voltaria para a Internet após um ano sem ela? Paul achava que não.

Paul Miller - The Verge

Paul Miller é um articulista de tecnologia do The Verge que topou o desafio de ficar offline por um ano. Nada de e-mails, web, GPS, smartphone, e-books, nada. Não ficou sem usar tecnologia, claro, seria um tanto mais complicado, principalmente porque ele continuou sendo pago pelo The Verge para escrever seus artigos. Mas ficou desconectado.

Ele achava que encontraria, nesse hiato, seu verdadeiro eu, sua identidade perdida na batalha contra a vida corrida e intensa da Internet, as distrações que o mantinham distante das coisas reais, das pessoas reais, de sua família, do que realmente valia a pena. Da vida.

Ao contrário de tudo isso, Paul descobriu que sua vida e a Internet eram coisas intrínsecas. Ele descobriu também que na vida offline existiam tantas distrações quanto na online. Após um tempo ele descobriu o quanto era difícil pra ele, sair de casa para encontrar os amigos, fazer ligações ao invés de enviar e-mails, responder as cartas dos seus leitores e ir aos correios para enviar. Ele finalmente concluiu que não era a Internet que o atrapalhava de descobrir seu verdadeiro eu, que o afastava das pessoas ou que o distraía com coisas inúteis ao invés de focar nas verdadeiras coisas que valiam a pena.

O culpado, era o próprio Paul

Em seu texto de retorno à Internet, Paul diz que se sente decepcionado com ele mesmo por não ter tido nenhuma epifania no período, por não ter realizado o que era o objetivo do projeto. Mas Paul se enganou. A sua epifania foi sua grande descoberta sobre si mesmo, sobre ser o principal responsável pelo rumo que sua vida toma, por suas escolhas, pelos erros e acertos, pelo aprendizado.

What I do know is that I can’t blame the internet, or any circumstance, for my problems. I have many of the same priorities I had before I left the internet: family, friends, work, learning. And I have no guarantee I’ll stick with them when I get back on the internet — I probably won’t, to be honest. But at least I’ll know that it’s not the internet’s fault. I’ll know who’s responsible, and who can fix it.

A Internet (ou o videogame, o Facebook, a escola, o trabalho, ou qualquer outro culpado que você queira arrumar) não é responsável por nos afastar de nosso caminho. Nós somos os únicos responsáveis pelas escolhas que fazemos. Nenhuma tecnologia vai mudar quem você é. Ela pode apenas amplificar, facilitar a divulgação e a conexão com outros iguais.

O que você está fazendo da sua vida?

Video-documentário de Paul Miller / The Verge

Sites e E-Commerces não recomendados

O Procon de São Paulo mantém uma lista atualizada de lojas e sites de comércio eletrônico que não são recomendadosm (PDF). Em outros termos, grande parte da lista é por motivo de fraudes detectadas ou potencialmente danosos ao consumidor.

É sempre importante lembrar que qualquer pessoa, dona de um site de comércio eletrônico ou qualquer outro negócio online, pode colocar em seus sites  “selos” que simulem algum tipo de “atestado de credibilidade” dado por outra instituição. Selinhos como “Site Blindado” ou “eBit Loja Ouro” não bastam para informar se um site tem ou não boa reputação. Principalmente se esses selos não estiverem fazendo um link para as instituições, de forma que essas possam atestar a veracidade dos tais selos.

selos de segurança em e-commerce

Um “selo” é apenas uma imagem. E da mesma forma que elas estão inseridas por mim aqui nesse texto, qualquer um pode inserir em seus layouts, dando a falsa impressão de que a loja é “segura” para compras.

Certificado não é garantia contra fraudes

Da mesma forma, muita gente pensa que ter um “certificado de segurança” é garantia de satisfação. Não é. Todo bandido pode ter CPF, RG, Carteira de Trabalho e Passaporte. Isso não garante que ele seja uma boa pessoa. O certificado de segurança garante apenas a segurança dos dados transacionados entre o seu computador e o site destino. Se você está enviando seu cartão de crédito para um site de fraudadores, o certificado garante que os fraudadores terão acesso ao seu cartão, sem que outros sites interceptem no meio.

Então, fique atento e sempre que esbarrar em uma super promoção de alguma loja desconhecida, antes de mais nada, consulte a reputação dessa loja. Vá ao ReclameAqui, consulte a lista do Procon, busque pelo nome da loja no Google e veja se existem blogs e posts em redes sociais denunciando fraudes, etc.

Não confie em imagens de cadeados ou selinhos. Eles estão à venda para quem puder comprar. Continue lendo “Sites e E-Commerces não recomendados”

WordPress sob ataque

WordPress Brute Force

Segundo relatos de grandes provedores de infraestrutura e hospedagem, como o HostGator e o CloudFlare, está acontecendo um enorme ataque a sites movidos a WordPress em toda a Internet. A técnica conhecida como Brute Force Attack, utiliza o método de “tentativa e erro” para tentar descobrir senhas simplesmente “chutando-as” (óbvio, com a utilização de enormes dicionários e muitos computadores, isso fica muito mais fácil e rápido).

Foi divulgado o número de 90.000 IPs trabalhando para tentar invadir as áreas administrativas de sites em WordPress. Da maneira mais simples, o sistema tenta acessar a área wp-admin e efetuar o login com o usuário “admin” que é setado por padrão em toda nova instalação do CMS.

Como são requisições comuns de login e de forma distribuída, fica impraticável fazer o controle manual das tentativas e bloqueá-las, no entanto, algumas precauções podem ser tomadas para evitar grandes tragédias. Continue lendo “WordPress sob ataque”

Twoo, a mais nova praga da Internet

Twoo SPAM

Você provavelmente já recebeu um e-mail do Badoo alguma vez na vida, não é? Uma rede social para quem quer conhecer gente nova. É, pegação. O Badoo abusou tanto disso que hoje a grande maioria dos programas de e-mails já identificam automaticamente as mensagens do Badoo como SPAM e colocam em seu devido lugar: o lixo eletrônico.

Há alguns dias os usuários de Internet, principalmente de redes sociais como o Facebook, vem recebendo uma série de mensagens por e-mail, dos seus amigos adicionando-os como contato e convidando para uma nova rede: o Twoo. O problema aí é um só: ninguém te convidou pra canto nenhum e a pessoa sequer sabe que o Twoo está enviando e-mails em seu nome.

Twoo é SPAM. Da pior safra

O Twoo começa com os dois pés errados (e ambos no peito do usuário), se utilizando da confiança e relevância de uma pessoa para adquirir mais usuários, sem que a pessoa saiba que isso está acontecendo, ou seja, já quebrando a confiança, o trato implícito de não escrotizar a conta alheia. Pior ainda, a tal rede te diz que vai ser discreta, não vai colocar seu nome no perfil, etc e tal (afinal é uma rede de pegação, certo?) e aí vai lá e dispara e-mails para toda a sua lista de amigos (e contatos profissionais, e possíveis prospects amorosos…), dizendo que você está lá. Jêniu!

A merda está feita. Mesmo que você apenas tenha clicado por curiosidade – afinal ninguém ouviu falar nessa rede nova e você não sabe do que se trata e acabou de receber um convite de um amigo confiável, certo? – você será exposto para toda a sua lista, quem sabe até mesmo para sua esposa, namorado, ficante, que você está num Par Perfeito novo. Tá na pista, pra negócio.

Como conquistar qualquer mulher em até 15 minutos

Não adianta ignorar ou apenas cancelar o sincronismo

Daí você entrou sem querer, viu que se trata disso e não teve interesse. Ótimo. Agora, você precisa remover sua conta e quebrar o vínculo com sua conta do Facebook, caso contrário, o spammer duzinferno vai continuar enviando e-mails para seus amigos, dizendo que você os adicionou por lá. Mesmo você nunca mais tendo feito nenhum login.

Removendo a conta do Twoo

  1. Faça login no Twoo
  2. Clique em sua conta (editar)
  3. Clique para editar a primeira caixa de dados básicos
  4. Selecione remover/apagar sua conta abaixo da caixa de status (ativo/inativo)
  5. Ignore o que vier depois e clique no link continuar para apagar

Removendo o vínculo do Twoo com o Facebook

  1. Acesse sua conta no Facebook
  2. Clique na engrenagem no topo da tela e selecione Configurações de Conta
  3. Na aba esquerda selecione Aplicativos/Apps
  4. Encontre o Twoo na listagem e clique no “x” do canto direito dessa linha
  5. Confirme sua escolha

Peça desculpas aos seus amigos e compartilhe esse post. Assim fica mais fácil explicar que você caiu numa armadilha e ao mesmo tempo ensinar como sair dela.

De nada 😉