• Fake Money
    Internet,  Mobile,  Segurança

    Insta Money é golpe? Funciona?

    Em primeiríssimo lugar, antes de qualquer coisa, eu gostaria de deixar claro que já falei sobre isso várias vezes aqui neste blog e em outros canais, não é somente sobre Insta Money ser golpe ou não. É sobre qualquer aplicativo, site, esquema, jogo que promete dinheiro fácil: É GOLPE! Fim! Não existe dinheiro fácil, gente! Desiste de encontrar isso! Se a promessa for dinheiro fácil, quem está ganhando é quem vende a promessa! Simples assim.

    Agora vamos ao cerne da questão sobre o Insta Money

    O Insta Money é um aplicativo que está utilizando influenciadores de Internet – especialmente Instagrammers – para divulgação e amealhar a maior quantidade de vítimas possível, antes de sumir no ostracismo novamente ou coisa pior, tipo os donos serem presos, caso exista uma investigação séria sobre o assunto.

    Vale salientar que o Insta Money não é o único aplicativo ou site desse tipo que está “bombando” por essas bandas. Toda semana aparece um novo e eles são a forma mais simples e repaginada do golpe de pirâmide financeira. Todo mundo lembra qual o esquema da pirâmide, né? Não tem produto nem serviço, as pessoas pagam pra entrar e tentam trazer mais gente pra dentro do esquema – pra ganhar mais dinheiro – e na verdade o dinheiro “fácil” que é distribuído no início, é justamente com esses novos entrantes. Quando para de entrar gente, a banca quebra pra geral.

  • Um príncipe em NY
    Internet,  Segurança

    Sargento Mark Smith ou O golpe mais antigo da Internet (e pelo visto, imortal)

    Esses dias uma amiga minha me pediu ajuda para encontrar a origem de um número de telefone, do Sargento Mark Smith. Inicialmente eu apenas ajudei na tarefa e depois algo me despertou a perguntar do que se tratava, já que era um número internacional, vindo do continente africano. Fiquei curioso. Era o golpe do príncipe nigeriano, só que reciclado.

    A mãe dessa amiga, uma pessoa que não é tão ligada em coisas de Internet, bem low tech mesmo, havia recebido uma série de mensagens de um homem que se dizia apaixonado por ela, fez juras de amor, promessas de se verem em breve, etc. E ela interagiu, não chegou a se questionar as coisas que pessoas mais desconfiadas ou não tão ingênuas se questionariam. Ou seja, deu corda para o golpista.

    Montagem de passaporte
    A foto enviada do passaporte é uma montagem grosseira cuja original eu achei no Pinterest.

    O homem dizia se chamar Mark Smith (algo como José Silva no Brasil, um nome bastante comum), mandou foto com montagens toscas de passaporte e de um “cartão de identificação do US Army” (as Forças Armadas dos EUA) – nem precisava ser consultoria em design para ver que era falso. Dizia ser sargento do exército em atividade na Síria e fazendo os preparativos para “voltar para casa”. Aí é que vem o golpe.

    “Mark” diz que ele se seus colegas juntaram um dinheiro “por conta de suas boas ações” e que estão tentando enviar o dinheiro para seus países, mas por conta da guerra na Síria, tinham sérias restrições por conta de leis e regulamentações. A forma de lidar com isso seria enviar através de terceiros, e que seus colegas estariam fazendo isso através das esposas, porém, como ele não tem esposa, queria enviar o dinheiro para a mãe de minha amiga. Seriam US$ 800.000 – oitocentos mil dólares – enviados para uma pessoa que ele não conhece. Enviou foto da mala de dinheiro e dos “colegas” fazendo a partilha. Faz todo sentido, certo?

  • Facebook manipulation
    Internet

    Facebook pode ser usado para manipular suas emoções

    Essa foi a conclusão de um estudo realizado pelos pesquisadores do próprio Facebook e publicado em forma de artigo científico. O estudo em si não é muita novidade, já que sabemos que o ser humano é influenciável pelas emoções do meio – não importa se o meio é digital ou não. A conclusão é que precisa ser outra.

    O estudo conduzido com a nossa permissão – ao concordar com os termos de uso da rede social de Mark Zuckerberg – manipulou o newsfeed de cerca de 600 mil usuários, selecionando aleatoriamente os perfis que receberiam mais textos e notícias negativas ou mais positivas. Com base nesse filtro, os pesquisadores avaliaram se essa exposição ao positivismo ou negativismo faria diferença nos posts que os usuários compartilhariam. E, como esperado, fez. Os participantes do teste foram “contaminados” pelas emoções dos seus amigos, passando a também disseminar o mesmo.

    Com base nesses resultados o que devemos considerar? O fato de estarmos utilizando um serviço gratuito e que nós o pagamos com nossos dados e nosso comportamento – e até concordamos com isso ao utilizar – faz com que nos tornemos reféns dos filtros que a empresa quiser aplicar. E já aplica, segundo eles, para que nossa timeline tenha mais relevância para nós mesmos. Mas nós sabemos que é uma empresa que busca rentabilizar o máximo de seus serviços (e nossos dados, matéria prima), certo? Quem nos garante que os filtros já não estão sendo (ou não serão) vendidos?

  • Internet

    Um ano sem Internet

    Paul Miller tinha um desafio: ficar um ano sem Internet. No início tudo são flores, mas e no final? Você conseguiria? Você voltaria para a Internet após um ano sem ela? Paul achava que não.

    Paul Miller - The Verge

    Paul Miller é um articulista de tecnologia do The Verge que topou o desafio de ficar offline por um ano. Nada de e-mails, web, GPS, smartphone, e-books, nada. Não ficou sem usar tecnologia, claro, seria um tanto mais complicado, principalmente porque ele continuou sendo pago pelo The Verge para escrever seus artigos. Mas ficou desconectado.

    Ele achava que encontraria, nesse hiato, seu verdadeiro eu, sua identidade perdida na batalha contra a vida corrida e intensa da Internet, as distrações que o mantinham distante das coisas reais, das pessoas reais, de sua família, do que realmente valia a pena. Da vida.

    Ao contrário de tudo isso, Paul descobriu que sua vida e a Internet eram coisas intrínsecas. Ele descobriu também que na vida offline existiam tantas distrações quanto na online. Após um tempo ele descobriu o quanto era difícil pra ele, sair de casa para encontrar os amigos, fazer ligações ao invés de enviar e-mails, responder as cartas dos seus leitores e ir aos correios para enviar. Ele finalmente concluiu que não era a Internet que o atrapalhava de descobrir seu verdadeiro eu, que o afastava das pessoas ou que o distraía com coisas inúteis ao invés de focar nas verdadeiras coisas que valiam a pena.

    O culpado, era o próprio Paul

    Em seu texto de retorno à Internet, Paul diz que se sente decepcionado com ele mesmo por não ter tido nenhuma epifania no período, por não ter realizado o que era o objetivo do projeto. Mas Paul se enganou. A sua epifania foi sua grande descoberta sobre si mesmo, sobre ser o principal responsável pelo rumo que sua vida toma, por suas escolhas, pelos erros e acertos, pelo aprendizado.

    What I do know is that I can’t blame the internet, or any circumstance, for my problems. I have many of the same priorities I had before I left the internet: family, friends, work, learning. And I have no guarantee I’ll stick with them when I get back on the internet — I probably won’t, to be honest. But at least I’ll know that it’s not the internet’s fault. I’ll know who’s responsible, and who can fix it.

    A Internet (ou o videogame, o Facebook, a escola, o trabalho, ou qualquer outro culpado que você queira arrumar) não é responsável por nos afastar de nosso caminho. Nós somos os únicos responsáveis pelas escolhas que fazemos. Nenhuma tecnologia vai mudar quem você é. Ela pode apenas amplificar, facilitar a divulgação e a conexão com outros iguais.

    O que você está fazendo da sua vida?

    Video-documentário de Paul Miller / The Verge

  • Internet

    Facebook Social Search is in the house

    Há alguns dias o Facebook anunciou sua “próxima grande coisa” (numa tradução livre e tosca do que eles mesmos disseram sobre isso): a Busca Social. Diferente do Web Search, que por mais que o Google esteja investindo em personalização em uma espécie de curadoria de resultados (o que eu acho bem ruim), não é a mesma coisa que você mesmo filtrar o tipo de resultados que deseja obter.

    O Social Search do Facebook, usa suas conexões, interesses, fanpages e conexões de suas conexões, para exibir os resultados que você está buscando. Você pode usar uma variedade de combinações, sem uma ordem específica, para obter os resultados desejados.

    Vamos aos exemplos de Social Search

    Digamos que você queira saber, por exemplo, quantos e quais dos seus amigos de escola estão no Facebook e moram na mesma cidade que você. No meu caso, a busca seria: people who went to CEFET-BA and live in São Paulo, Brasil. O próprio Facebook vai sugerindo enquanto você digita. As primeiras pessoas listadas, abaixo:

    Social Search 01 - Tecnocracia

    Esse resultado foi enorme, com muita gente que eu não conheço, de períodos diferentes. Digamos que eu queira refinar um pouco essa busca, listando apenas amigos de amigos (lembre-se, “amigos” no caso são suas conexões de Facebook, ok? o sistema não adivinha quem é seu amigo). Minha busca foi: Friends of my friends and my friends who went to CEFET-BA and live in São Paulo, Brazil. A lógica era descobrir contemporâneos da escola que estão morando em Sampa. Mas o FB Social Search ainda não está tão afinadinho e me listou, dentro de vários outros resultados corretos, um ex-colega de sala que mora em outra cidade. Quén.

    Social Search 02 - Tecnocracia

    Vamos então resumir aos amigos e buscar outra entidade dentro do site do Sr Mark. Fotos :). Modo stalker ativado.

    Social Search 03 - Tecnocracia

    Tá vendo aquela caixinha ali do lado? Você pode usar para filtrar suas buscas, ao invés de se matar caprichar no seu inglês. Facilita bastante, não é?

    Outros exemplos de busca que podem ser interessantes:

    • my female friends who are single (olhaí a prospecção pros solteiros)
    • my male friends who works at [sua empresa] and likes basketball (procurando parceiros pra jogar?)
    • female friends of my friends who lives in [sua cidade] and are single and like beer (opa!)
    • places my friends have been in [cidade onde você está viajando a trabalho] (onde é legal de ir?)
    • photos of my (female) friends taken in [nome de uma balada] (prospecção ou zoação só mudando uma palavra)

    Em que isso é importante?

    Em várias coisas. Como eu disse, o Google hoje já faz uma espécie de seleção dos resultados pra você, o que é uma merda, porque ele não sabe o que você está buscando, ele apenas tenta adivinhar. Além disso, uma busca web é muito diferente de uma busca social. Você sabe o que você quer ver, pode filtrar da forma que bem quiser no momento e a única pessoa que pode impedir que determinado conteúdo seja visto é o proprietário dele, o usuário, através dos filtros de privacidade.

    A tendência é que existam duas internets (ou várias). A pública e a privada, dentro dos grandes sites fechados, como o Facebook. Acho que nem o Mark quando roubou a ideia dos professores imaginava que seu site um dia poderia ser uma espécie de Internet privada, do tamanho ou maior que pública. Como tudo tem seu lado ruim, hoje o Google controla as buscas, o Facebook controla o que é social. Decisões podem ser tomadas à sua revelia, afinal, não se esqueça que o site é privado e apesar de você colocar um monte de conteúdo nele, aquele pedacinho de terra virtual não é seu e pode ser retirado de você a qualquer tempo.

    Você curtiu o Social Search? Tem preocupações de privacidade? Quer sugerir alguma busca interessante? 😉