Tema: monetização

TELEXFREE: Dinheiro fácil ou roubada?

Charles Ponzi, em 1920Fiquei muito em dúvida se escrevia esse texto aqui no Tecnocracia ou no Balela.info, mas resolvi escrever aqui mesmo, porque o alcance é maior, porque já falei desse tipo de dinheiro fácil na Internet em outro post antigo e porque este blog é mais conhecido também. O fato é que me preocupa o alcance que esse sistema, essa pirâmide, tem tomado nacionalmente, e por essa preocupação preciso escolher o canal adequado para comunicar.

A TelexFree se diz uma empresa de VoIP (Voice over IP), uma revenda de serviços de telefonia IP e que esse é seu negócio. Mas obviamente não é por isso que essa empresa ficou famosa no país – esse Brasil que ainda não consome e muitas vezes nem sabe do que se trata telefonia via IP – mas pelo esquema de “dinheiro fácil” que todos os participantes divulgam por aí. Mas atenção, dinheiro fácil e dentro da legalidade, é artigo raro e principalmente quem descobre algo assim não fica divulgando para não reduzir sua margem. Se você precisa trazer mais pessoas para que seus ganhos aumentem, isso tem nome e sua forma original é proibida no Brasil e em vários países: pirâmide financeira.

Como funciona uma pirâmide financeira?

TELEXFREE Piramide FinanceiraÉ muito simples o raciocínio e a mecânica criada pelo italiano Charles Ponzi – o método recebeu seu nome, Esquema Ponzi. Uma pessoa (ou empresa) arrecada dinheiro de um número qualquer de pessoas diretamente, como se fosse um investimento, e promete rendimentos em cima desse dinheiro por um período X. Para ganhar mais, essa pessoa precisa indicar outros investidores. Com a entrada desses investidores, o responsável pelo esquema distribui o que seriam os ganhos do investimento com aqueles que entraram primeiro. Animados, eles indicam mais pessoas e divulgam seus rendimentos para convencê-los. Os indicados também se animam e indicam outros, que ao entrarem, tem seu dinheiro distribuído entre os níveis acima da pirâmide (veja o gráfico ao lado).

Como você pode deduzir, no momento em que não entram mais pessoas, o dinheiro para de entrar e não há mais o que distribuir, pois o esquema não tem nenhuma fonte de renda a não ser os novos membros. Nesse momento, a pirâmide quebra, o modelo rui e quem entrou por último se deu mal, além de uns 3 ou 4 níveis, que não conseguiram recuperar o dinheiro inicial. É muito comum que esses esquemas possuam uma espécie de cota, e os mais animados reinvistam o dinheiro em novas cotas, retroalimentando o esquema e aumentando o rombo financeiro quando ruir o esquema.

Como funciona a TELEXFREE?

Como no Brasil, por conta de nossas leis relaxadas, o esquema Ponzi é permitido desde que exista um produto a ser vendido, a TelexFree conseguiu sobreviver dentro da legalidade até agora – mas já está sendo investigada. Acontece que o produto que eles “vendem” é VoIP – telefonia sobre IP, similar ao Skype só pra quem não está familiarizado com o termo entender. Além disso, os participantes precisam fazer uns “anúncios” diariamente em alguns sites indicados por eles. Pura cortina de fumaça, eu avaliei alguns desses sites e eles não possuem NENHUMA relevância e nem mesmo páginas indexadas no Google, portanto, seu anúncio está ali apenas para justificar o esquema de pirâmide, um disfarce legal ou contábil, mas não vale de nada, não ajuda a vender absolutamente nada.

Para participar, você paga um valor X, tem cotas diferentes, e conforme o dinheiro pago você entra numa diferente categoria dentro do esquema, tendo que anunciar mais ou menos e tendo direito ao retorno maior ou menor. Só que esse retorno, comparado com o seu pagamento inicial, é ínfimo se você não indicar pessoas e se essas pessoas que você indicou não indicarem outras. Ou seja:

  1. Você paga para entrar no esquema, mas não se torna sócio da empresa
  2. Você precisa “trabalhar” diariamente para a empresa, fazendo determinado número de anúncios e se não fizer, perde dinheiro
  3. Se você indicar outras pessoas, você ganha mais dinheiro, na entrada e no trabalho delas
  4. Você também ganha nas indicações de seus indicados e de toda a rede abaixo. Centavos, mas de grão em grão…
  5. Se ninguém comprar nada da sua cota de VoIP (eles são obrigados por lei a vender, lembra?), a empresa recompra sua cota, por um valor menor

Então deixa ver se eu entendi. Eles são uma empresa que vende um produto. Possuem uma vasta rede de revendedores do tal produto, mas se ninguém vender nada, eles compram de volta. Opa, mas peraí, eles compram deles mesmos, já que não venderam para os representantes. Então, QUAL O SENTIDO DISSO? Quem não consegue enxergar que se trata de uma pirâmide?

Putz! E agora? O que fazer?

Bom, agora é aguardar uma investigação e ações sérias de nossas autoridades, já que o alerta está dado e, embora muitos sejam os advogados do diabo, tem muita gente já suspeitando e denunciando essa faucatrua, o que faz com que o fim esteja realmente próximo.

Se você estava pensando em entrar, não faça isso. Toda pirâmide tem seu fim drástico e total. Ela rui de vez, e quem ganhou, ganhou, quem não ganhou não tem como recuperar seu dinheiro. Já era. Invista em outra coisa, algo que realmente não seja furada e tenha base sólida. Não acredite em dinheiro fácil, ele provavelmente é ilegal, golpe ou uma fria considerável.

Agora, se você já está dentro, meu caro, não tem como sair. Então, não indique mais ninguém, alerte às pessoas que você já indicou sobre o possível rompimento e tente recuperar seu dinheiro fazendo os tais anúncios o quanto antes. Não espere para sacar, faça isso logo. E fica esperto na próxima super oportunidade de investimento que aparecer.

Como identificar uma roubada financeira de dinheiro fácil

Muito fácil. Se você tem que pagar para entrar em qualquer esquema, há uma chance de ser golpe. Investigue antes, avalie as probabilidades, queira saber quem são os donos do negócio e esteja claro de qual o seu papel.

Se você paga para entrar, tem que trabalhar de alguma forma e não é sócio da empresa, não é um investimento em primeiro lugar. Se você não precisa vender nada para ganhar o seu dinheiro justo e honesto, mas precisa trazer outras pessoas para dentro do esquema, isso é pirâmide. Não caia nessa. Se você não assinou nenhum contrato, não tem nenhuma garantia legal de que seu investimento tem algum retorno ou mesmo que você fez o investimento, isso é golpe, rapaz, como você acreditou nessa história?

Toda vez que alguém vier te oferecer uma proposta de dinheiro fácil, desconfie.

Mais referências

Como desativar campanhas no boo-box

foto: AMFA boo-box é uma empresa brasileira criada pelo meu amigo Marco Gomes, empreendedor nato, que largou emprego e faculdade em Brasí­lia para apostar em seu sonho aqui em São Paulo. A empresa cresceu, ganhou investimentos e hoje é uma grande rede de anúncios, focada em mí­dia social.

Funciona mais ou menos como o AdSense, da Google. Você define os pontos de seu site onde quer que apareça publicidade e, conforme os anunciantes criem campanhas que atinjam o perfil de seu site, as peças aparecerão nos pontos definidos.

A grande vantagem do sistema da boo-box sobre o AdSense e outras Ad Networks, é que você pode definir outras fontes de peças para suas “vitrines” no site. Por exemplo, você pode definir seu código de afiliado do Submarino, Buscapé, Americanas, JaCotei, etc., e quando não houver uma campanha, serão exibidos os produtos dos seus programas afiliados. Rentabilização máxima do seu espaço. Continue lendo “Como desativar campanhas no boo-box”

Conteúdo pago na Internet. De volta a 1998?

Publicidade não fecha as contas da Internet. Isso todo mundo já sabe. O que ninguém estava acreditando, pelo menos até os últimos dias, é que dá para ganhar dinheiro fechando o conteúdo de um site. Aquilo que os portais faziam em 1998 – hã? Ainda tem portal que faz isso? Ahhh verdade, eles ainda são os mesmos de 1998 …

Recentemente o New York Times anunciou que irá adotar essa tática para tentar monetizar seu site – dando um passo atrás do que fez em 2007. Isso porque, todo mundo também já sabe que jornais estão morrendo (os impressos, calma) justamente por causa da facilidade e agilidade da Internet em noticiar os fatos. Jornal impresso é notí­cia de ontem. Continue lendo “Conteúdo pago na Internet. De volta a 1998?”

Submarino faz grandes mudanças em seu site e programa de afiliados

O Submarino todo mundo conhece. Depois da junção com a Americanas.com, é o maior grupo de e-commerce brasileiro, arrisco dizer monopólio. E talvez por esse motivo, nunca deu muita bola para seus afiliados ou mesmo seus clientes. Não é de hoje que temos visto na Internet diversas reclamações de logí­stica, pedras no lugar de produto, falhas no pagamento, falta de suporte, etc.

Eu mesmo, no iní­cio do programa de afiliados deles, tentei contato diversas vezes para sanar dúvidas, dar sugestões e fazer reclamações sobre dados não computados, por exemplo. Se tive retorno em 30% desses contatos, posso considerar que foi muito. Sempre me pareceu precário o atendimento, mas me mantive no programa por conta de não ter reclamações como cliente (sorte, talvez) e das duas principais vantagens oferecidas pelo programa, a saber:

  • Indexação dos links de afiliados por mecanismos de buscas, ao contrário do que o Buscapé optou em fazer
  • Prazo de 30 dias para decisão de compra, após clique no link do afiliado (através de cookie)

Há alguns dias, porém, o Submarino reformulou seu site todo, incluindo o sistema de afiliados. Contrariando as principais dicas de SEO, todos os links de busca e produtos foram alterados e não foi feito nenhum esquema de redirecionamento total, exibindo uma página de erro genérica para os links antigos (problema que aparentemente foi resolvido). Isso acabou atingindo diretamente todos os afiliados que possuiam links em seus sites, além dos desenvolvedores que criaram soluções para divulgação do programa, incluindo um dos mais famosos, o boo-box.

Além da mudança nos links, que fez todo mundo se movimentar para corrigir posteriormente í  migração do site, pois não houve nenhum tipo de comunicação prévia, uma outra alteração vai prejudicar muita gente e fazer muitos dos afiliados procurarem novos rumos – da mesma forma que aconteceu uma migração do Buscapé para o JáCotei na época da retirada de indexação dos links que citei. Os cliques dos afiliados agora só estão valendo por 1 dia, de acordo com o cookie instalado na máquina do cliente.

Ora, todos sabemos que a decisão de compra na Internet não funciona por impulso. Esse é um artifí­cio que funciona muito bem para lojas tradicionais, na exposição do produto e dependendo da lábia do vendedor. Na Internet o consumidor faz pesquisa, compara preços, prazos e condições de pagamento, compara as marcas e features de produtos similares, para só depois escolher e efetuar a compra. O prazo anterior do programa afiliados era muito bom, pois dava 30 dias para que o cliente se decidisse, pesquisasse, escolhesse.

Pela mudança sem aviso e desconsideração dos afiliados, não duvido que a questão de indexação por mecanismos de busca também já esteja em execução, planejamento ou pelo menos consideração dentro da equipe do Submarino. Por conta disso, estou alterando meus links do Submarino e meu sistema de Loja Virtual (que reformulei para atender o novo site) para um outro programa. Aceito dicas e sugestões de vocês sobre qual programa utilizar.

Lojas personalizadas podem ser uma boa forma de rentabilizar um blog

O mapa da minaMuito tem se falado em blogs, encontros, blogcamps e conversas entre blogueiros sobre “monetização”. Mais recentemente, começou-se a mudar a expressão para “modelo de negócio” – e até o nome do blog para Mí­dia Social (fazendo um paralelo, é como um jornalista dizer que não é mais jornalista e sim imprensa 😉 ). Mas muito se fala e quase sempre chega-se a um mesmo modelo: publicidade.

Eu não sou contra publicidade, de forma alguma, mas não acredito em um único modelo, principalmente um modelo que já “estourou” muita gente nos idos de 98/99. A publicidade pode ser bem explorada não somente com venda de espaços que conhecemos por banners, sejam eles fixos, pagando por visualização ou por clique, rotativos ou animados. Isso sem falar dos diversos formatos e posicionamentos.

A publicidade mais interessante que percebo é a invisí­vel e a mais honesta é a direta, posts patrocinados, campanhas com blogueiros, etc. Existem diversos nomes para isso, mas posso comentar num outro texto. Nesse eu quero falar sobre lojas personalizadas, uma alternativa rentável que já tem muita gente usando (e gostando). Continue lendo “Lojas personalizadas podem ser uma boa forma de rentabilizar um blog”