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livro - Face do Fogo, A
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A Face do Fogo
Uma das caracterÃsticas mais visÃveis da poética de Beatriz Bajo é que ela transcende a busca de uma voz feminina e até abdica disso em nome de algo maior e mais honesto. Em nome do partido da palavra como exploração de um vasto espectro de sensações, que respiram dentro da dimensão do corpo, e não apenas do corpo feminino, mas do corpo como um sÃmbolo como podemos notar nesse fragmento do poema Uma árvore pousa em meus olhos: "Uma árvore pousa em meus olhos, no tempo em que uma princesa dobra a esquina e é sempre essa atrevida folha que cai entre a brisa e o breu quando o vento descortina a pele." ou nesse outro fragmento de outro poema: "cada beijo é como comer borboletas/para que as matizes de dentro se libertem, se debatam/no assanhar das asas/entre predicados que traquinam no diafragma..."
Aqui estamos no terreno onde o vapor da linguagem é decantado em um lirismo imagético que não se opõe ao mapeamento de sensações que estão no limite do "dizer". É como se o "método" levado ao sutil paroxismo de Pessoa/Álvaro de Campos com a interioridade do corpo brutalmente revirada para a exterioridade do mundo, para um "fora sem limites", se encontrasse com a explosão do diamante da potencialidade do sentir clariceano.
O poema de B.B. está em confronto com os limites do "dizer", limites mediados por uma delicadÃssima tensão entre a imagem e a palavra, um lugar-limite da expressão onde o ato de beijar se funde com a imagem do voo de borboletas, neste campo onde a exterioridade do corpo, em uma inversão do "método" de Pessoa/Álvaro de Campos, é limitada pela interioridade do mundo, em uma apropriação da perigosa ourivesaria clariceana, como uma chave que equilibra tensões incanceláveis entre o ser e o não-ser, ou seja, a natureza.
E isso é em essência o maior raio de força da poética de B.B. O tensionamento através de uma imagética sempre surpreendente, entre aquilo que Bataille chamava de "erotismo" e a lapidação até a quase dissolução de um eu lÃrico, que para além das vozes do corpo e do não-ser da natureza no mundo, não teme desaparecer dentro do ato de dizer algo maior do que sua própria paixão, que no sentido metafÃsico do termo é algo que não teme desaparecer naquilo que ama.
Marcelo Ariel
Uma das caracterÃsticas mais visÃveis da poética de Beatriz Bajo é que ela transcende a busca de uma voz feminina e até abdica disso em nome de algo maior e mais honesto. Em nome do partido da palavra como exploração de um vasto espectro de sensações, que respiram dentro da dimensão do corpo, e não apenas do corpo feminino, mas do corpo como um sÃmbolo como podemos notar nesse fragmento do poema Uma árvore pousa em meus olhos: "Uma árvore pousa em meus olhos, no tempo em que uma princesa dobra a esquina e é sempre essa atrevida folha que cai entre a brisa e o breu quando o vento descortina a pele." ou nesse outro fragmento de outro poema: "cada beijo é como comer borboletas/para que as matizes de dentro se libertem, se debatam/no assanhar das asas/entre predicados que traquinam no diafragma..."
Aqui estamos no terreno onde o vapor da linguagem é decantado em um lirismo imagético que não se opõe ao mapeamento de sensações que estão no limite do "dizer". É como se o "método" levado ao sutil paroxismo de Pessoa/Álvaro de Campos com a interioridade do corpo brutalmente revirada para a exterioridade do mundo, para um "fora sem limites", se encontrasse com a explosão do diamante da potencialidade do sentir clariceano.
O poema de B.B. está em confronto com os limites do "dizer", limites mediados por uma delicadÃssima tensão entre a imagem e a palavra, um lugar-limite da expressão onde o ato de beijar se funde com a imagem do voo de borboletas, neste campo onde a exterioridade do corpo, em uma inversão do "método" de Pessoa/Álvaro de Campos, é limitada pela interioridade do mundo, em uma apropriação da perigosa ourivesaria clariceana, como uma chave que equilibra tensões incanceláveis entre o ser e o não-ser, ou seja, a natureza.
E isso é em essência o maior raio de força da poética de B.B. O tensionamento através de uma imagética sempre surpreendente, entre aquilo que Bataille chamava de "erotismo" e a lapidação até a quase dissolução de um eu lÃrico, que para além das vozes do corpo e do não-ser da natureza no mundo, não teme desaparecer dentro do ato de dizer algo maior do que sua própria paixão, que no sentido metafÃsico do termo é algo que não teme desaparecer naquilo que ama.
Marcelo Ariel