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Não me faça pensar

Não me faça pensar - Steve KrugO tí­tulo é um tanto chamativo (oque é bom) e pode ser confundido com algum outro tema como vendas, psicologia ou auto-ajuda. Mas se formos analisar com a cabeça mais aberta, o livro tem muitas dicas de venda, psicologia e caracterí­sticas de auto-ajuda mesmo. Trata-se da versão em português do livro do Steve Krug, segunda edição revisada de 2005 (5 anos depois da primeira edição).

Apesar de ser um livro essencialmente voltado para a Internet, o livro fala de pessoas e de como elas usam a Internet, por isso continua atualizadí­ssimo (mesmo a primeira edição) pois a maneira como as pessoas vêem e usam o computador, os livros, revistas não mudou praticamente nada.

Ainda estou na metade da leitura (por pura falta de tempo), mas não consegui mais me conter para escrever alguma coisa e indicar o livro, pois é ótimo! Incrí­vel como muitas vezes nos surpreendemos com dicas simples e óbvias, mas que não pareciam tão óbvias antes de lermos ou ouvirmos alguém falar. Aquela coisa que está “na cara” mas nós não enxergamos.

Primeira lei de Krug sobre usabilidade

O tí­tulo desse artigo é oque o Krug prega como sua primeira lei da usabilidade. O usuário deve olhar para o seu site e, em milissegundos, saber algumas coisas fundamentais:

  • Que site é esse?
  • Em que página estou?
  • Quais as principais seções dessa página?
  • Quais as opções nesse ní­vel (para onde posso ir)?
  • Como (e se) posso realizar uma pesquisa?

Resumidamente, o site tem que ser intuitivo o bastante para que seja “reconhecido” na primeira navegação, com seções distintas, estrutura de navegação lógica, tí­tulos bem definidos, identificação clara de “onde estou” e “para onde posso ir”.

Isso parece lógico quando lemos, mas se formos avaliar sites que construimos, muitas vezes consideramos determinados usuários como “inaptos” para utilizar o nosso site ou a própria Internet porque ele se sentiu “perdido” na estrutura que definimos. Krug nos mostra que usabilidade é justamente o poder de fazer as coisas serem inteligí­veis até para pessoas que não tem intimidade com aquilo. Vendo dessa forma, nossos sites que não estão sendo suficientemente bem sinalizados é que são inaptos aos nossos usuários.

Não reinvente a roda

A maior parte das confusões causadas num website é resultado de “invenções” desnecessárias em coisas que deveriam ser óbvias. Se um usuário, por exemplo, passeia com o olho rapidamente pela tela procurando um botão ou link para entrar em contato por e-mail com a empresa, ele provavelmente espera encontrar palavras como “Contato”, “E-mail” ou “Fale Conosco”, além de um í­cone de envelope. Provavelmente ele passará por cima algumas vezes de palavras como “Ouvidoria”, “Atendimento”, “Dê um alô”, “Queremos ouvir você” ou outros tantos exemplos que já vi em sites de empresas. Quanto mais “criativa” for a expressão utilizada, mais tempo o usuário vai perder para encontrá-la.

Botões e links na página devem ter aparência de botões e links. O usuário espera que um texto que tem cor diferente do contexto em que se encontra seja um link, ao mesmo tempo que acredita que textos sublinhados (com cor diferente) são links. Espera-se também que um botão seja delimitado por borda e possua aparência de botão. Se você vai usar uma imagem contendo apenas um texto como botão, pense com carinho em utilizar uma borda e definir uma cor de fundo para dar destaque.

Seja econômico e objetivo nas palavras

Ao contrário do que pensamos ao desenhar nossas páginas, o usuário não as lê. Por experiência própria, isso eu já sabia antes de ler o livro. O usuário vai continuar usando o seu site da maneira que ele pensa que é correta, mesmo que na página do formulário a ser preenchido esteja escrito “Ao preencher a data, use o formato dd-mm-aaaa”. Ele provavelmente irá digitar com “/” e sem zeros na frente do número (01, 02…). É nesse momento que entram as validações de formulário ou uma melhor forma de desenhá-los para evitar erros, pois tenha certeza, seu usuário não vai ler as instruções.

Obviamente para tudo existem exceções. Páginas que contenham artigos, notí­cias, manuais de produtos, descrições de produtos em sites de e-commerce provavelmente terão muito mais dedicação de leitura que a maioria das outras páginas. Polí­tica de uso do site? Regras de acesso? Esqueça, pouquí­ssimos usuários se preocupam em lê-las, passando direto para o “eu concordo”.

Isso não quer dizer que você vá deixar de escrever oque é necessário. Seja objetivo, destaque as partes importantes do seu texto e forneça links para mais informações caso o usuário tenha interesse em continuar lendo. Krug diz que devemos “remover metade das palavras de um texto, e depois metade das restantes”, oque é um exagero, mas se formos enxugar palavras desnecessárias em nossas páginas web, pelo menos 30% de texto inútil conseguiremos remover.

Fiquem com essas dicas iniciais por agora. Em um próximo artigo falo mais sobre o assunto. Se gostaram do tema, comprem o livro. Eu recomendo, vale muito a pena.