Você compartilha conhecimento?

Foto por furiousgeorge81’s em licença compartilhada Creative Commons Eu costumo dizer, quando tenho oportunidade de falar sobre o assunto, que a essência da Internet pode ser traduzida com a palavra “compartilhar”. Desde quando descobri o termo – mini-flashback para 1997 mais ou menos, quando estava começando a entrar na Rede Mundial – que era utilizado […]

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Foto por furiousgeorge81’s em licença compartilhada Creative Commons

Eu costumo dizer, quando tenho oportunidade de falar sobre o assunto, que a essência da Internet pode ser traduzida com a palavra “compartilhar”. Desde quando descobri o termo – mini-flashback para 1997 mais ou menos, quando estava começando a entrar na Rede Mundial – que era utilizado meramente para designar recursos de rede disponí­veis aos outros usuários, deu o estalo e até hoje nenhum outro conceito me fez mudar de idéia. Ao meu ver, a Internet nasceu pra isso: compartilhar.

Fico muito feliz quando encontro serviços que se utilizam dessa premissa para existir. Que estimula o usuário a doar parte de seu conhecimento em prol de todos os outros. Fiquei muito feliz ao saber que, durante o Campus Party 2008, houve muito mais upload de conteúdo gerado pelos participantes para a Internet que download, apesar da larga banda de transferência utilizada. Fico feliz quando vejo um professor contar sua experiência com seus alunos, quando ele primeiro ensina a subir conteúdo para a Internet, para só depois ensinar o download. ISSO, é compartilhar.

Hoje ao fazer algumas consultas na Internet sobre leis de inquilinato (é, acabei de mudar e já tenho coisas desse tipo), me deparei com uma mensagem num fórum de assuntos jurí­dicos. Veja, um site chamado Universo Jurí­dico, que possui um fórum de discussão, onde as pessoas espontaneamente ajudam umas í s outras, tirando pequenas dúvidas, orientando na medida do possí­vel. Algo que existe há muito tempo e é bastante utilizado – conteúdo gerado pelo usuário total, mí­dia social, etc. Bem, a mensagem do fórum era de uma senhora aconselhando uma pessoa que pedia conselhos para uma dúvida, a procurar um advogado e pagar os honorários do profissional. Segue a mensagem:

Sra.XXXX.
O correto, neste caso, é a Sra. procurar um advogado em sua cidade e a ele fazer a consulta (pagando-lhe os honorários previstos pela OAB/MG). Não me parece ético utilizar este fórum para consultas profissionais gratuitas.

Perceba que eu não sou contra o profissionalismo, a cobrança de honorários advocatí­cios ou de qualquer outra profissão. Eu sou remunerado pelo meu tempo, pelo meu trabalho. Isso não tem nenhuma relação com comunismo, pro bono ou outra coisa. O que gostaria era que vocês observassem a cidadã defendendo o seu próprio trabalho (sim, ela se declarou advogada no fórum) utilizando justificativas como “é anti-ético utilizar o fórum para consultas profissionais gratuitas“. Ué! Eu não sabia que era obrigado alguém responder num fórum! Eu sempre achei que responde quem quer ajudar, contribuir de alguma forma para que alguém que está passando por dificuldades possa melhorar seu estado com 10 minutos do tempo de outro alguém que pode fazer isso de graça.

O pior é ainda perceber (se quiser ler lá no forum, esteja í  vontade) que a pessoa perdeu seu precioso tempo pra dar um esporro em alguém que está com dificuldades financeiras (daí­ surgiu sua dúvida) e pedir que ela pague um profissional para responder sua pergunta. Pergunta essa que foi respondida por outro advogado, de graça, no mesmo fórum, antes mesmo dessa senhora se pronunciar. O que justifica isso? Medo que seu ganha-pão seja substituí­do pela Internet? Medo que outros advogados comecem a fazer de graça a única coisa que ela saber fazer para ganhar um troco?

Quem tem competência, se estabelece. Um fórum nunca vai substituir um advogado numa petição, nunca vai representar um cliente numa audiência, nunca vai numa delegacia, nunca vai negociar com seu ex-marido (ou esposa) a pensão do seu filho. Se formos seguir esse raciocí­nio, vamos retirar todo o conteúdo educativo da Internet, pois estão tirando o emprego de professores, cientistas, pesquisadores; vamos retirar todo o conteúdo em ví­deo, pois estão tirando o emprego de produtores, distribuidores, fechando locadoras de filmes; vamos fechar os blogs, eles são um perigo para um sem-número de outras profissões; abaixo os fóruns, as listas, o orkut; abaixo o Google. Tiremos o cabo da tomada. Hoje é feriado, vamos passear na rua. Mas cuidado com qualquer comentário. Conhecimento é poder, não se dá. Se vende!

E você? Compartilha conhecimento?

Parabéns pelo site, nota 1000
Engraçado, ao acordar eu estava sonhando com a frase “é por causa do bloqueio que você usa no seu Firefox”
Ao acordar pesquisei no google com a frase (entre aspas), o que me levou ao seu site
Não sei o que dizer ao deparar-me com isso,
Lamentável que a sra. 40 (ou XXXX) tenha cometido este disparate contra a idéia do compartilhar, da compaixão, o espí­rito da internet
Tenho um blog onde conto minha história
Levei estas coisas, estas histórias, estas idéias para a minha história
Aqui o link
http://josecarloslima.blogspot.com/2009/01/dia-21-de-marte-janeiro-quarta-feira.html#links

Vitor disse:

Você está correto na sua análise e eu já comprei algumas brigas por causa desse problema, causado em virtude da obrigação dos advogados
respeitarem um Estatuto, um Código de Ética e uma tabela de valores mí­nimos de honorários.

Não há um valor mí­nimo para responder perguntas, portanto o advogado pode responder de graça. O problema são as restrições na publicidade. O Código de Ética proí­be os advogados de responder sobre dúvidas de matéria jurí­dica publicamente, pois entende como publicidade.

Se a Internet for considerada um meio de comunicação social, realmente os advogados não podem se manifestar, sob pena de serem punidos até com expulsão da OAB.

Para ser punido o advogado precisa também ter respondido a consulta com o intuito de se promover profissionalmente. É este o ponto principal, os advogados somente podem fazer propaganda de seus nomes e áreas de atuação e nada mais.

Não há definição sobre sites ou blogs de advogados, bem como a interação em fóruns. Por via das dúvidas, a maioria dos profissionais que conheço se limitam a responder sobre casos genéricos.

Concordo que devemos compartilhar o conhecimento, porém os advogados que respondem dúvidas especí­ficas correm o risco de serem punidos, enquanto a OAB não se posicionar definitivamente.

Cara, concordo com tudo aí­. Realmente muito mais portas tem se aberto pra aquele que compartilha a informação sem medo, tenho experimentado isso em meu blog http://carreiradeti.com.br
e a frase “quem tem competencia se estabelece” considero como o resumo de tudo q voce escreveu!

Thássius V' disse:

Faltou dizer: acho que, mesmo assim, a rede está aí­ para que haja o compartilhamento de informações. E isso tende a crescer cada vez mais. É bom para todos. Quanto mais conhecimento produzirmos, melhor.

Thássius V' disse:

Numa coluna recente em “Época” o Max Gheringer fala disso. Ele pode fazer uma coluna falando de determinada lei trabalhista, mas não pode responder a dúvidas de leitores acerca de leis trabalhistas porque somente advogados podem fazê-lo.

Em resumo, o advogado – só ele – pode dar esse tipo de resposta. Acho que cabe a cada um definir se vale a pena responder gratuitamente ou não. Mas se a internet se tornar uma fonte infinita de consultoria gratuita, empregos vão se perder sim.

Jonathan disse:

Bacana o post, é isso aí­.

Manoel… Você falou tudo!
E este exemplo foi muito útil pra demonstrar isso. Garanto que essa mesma advogada já ganhou muito conhecimento de graça na internet!

Abraço!