Stay hungry. Stay foolish

A computação pessoal, como a conhecemos, perde hoje um dos seus 3 pilares mais importantes. Steve Jobs, aos 56 anos, após lutar bastante contra um câncer no pâncreas, faleceu, deixando todos nós órfãos. Órfãos não de seus produtos ou da empresa que fundou, e que certamente continuará em bom caminho, mas de sua genialidade. Sim, […]

Steve Jobs 1955-2011A computação pessoal, como a conhecemos, perde hoje um dos seus 3 pilares mais importantes. Steve Jobs, aos 56 anos, após lutar bastante contra um câncer no pâncreas, faleceu, deixando todos nós órfãos. Órfãos não de seus produtos ou da empresa que fundou, e que certamente continuará em bom caminho, mas de sua genialidade. Sim, esse é um dos homens a qual tenho a humildade de reconhecer como gênio. E ele fará falta.

Jobs mudou o mundo da computação mais de uma vez. Ao revolucionar o computador e transformá-lo em algo pequeno e pessoal, ao reduzí­-lo o bastante para ser portátil, depois transformá-lo em algo bonito, além de útil; deu outro giro no mundo ao lançar o iPod, mais tarde o iPhone e na sequência o iPad. Jobs também lançou, antes da 3Com lançar o Palm, um palmtop – o Newton – mas era muito í  frente de seu tempo e fracassou como produto. Ironicamente hoje, o iPad é um dos (se não “O”) dispositivos móveis estilo tablet mais utilizados no mundo, imitado e mais uma vez, divisor de águas, de uma era.

A Era Jobs, como provavelmente será conhecido esse perí­odo em que pudemos contar com sua brilhante presença, acabou. Um gênio se foi e não poderá ser substituí­do, como todos as mentes geniais que passaram por aqui. Só nos resta agradecê-lo pelo seu legado. Seu sonho, missão e lema sempre foi levar o computador a todas as pessoas, de forma simples, fácil, bonita e principalmente útil. Jobs, você conseguiu.

O legado de Steve Jobs

Apple IIDesde o iní­cio, a obsessão de Steve Jobs foi popularizar o computador. Ele sabia que os computadores de sua época eram coisas de nerds, estudantes, fuçadores de eletrônica e não para pessoas comuns. Fundou a Apple em 1976 com o intuito de construir um computador pessoal fácil de usar. E o primeiro computador, o Apple I, foi lançado ainda nesse ano. Porém, ainda era algo grande, pesado e complicado de se fabricar. Seu Apple II, no entanto, foi um computador avançado para sua época e que fez bastante sucesso.

Após uma visita aos laboratórios de pesquisa da Xerox, Steve se convenceu que o computador precisava ter uma interface gráfica e um dispositivo além do teclado: o mouse. Nasceu o Lisa, que não fez muito sucesso mas foi suplantado pelo Macintosh, que durou anos como linha de produtos Apple, mesmo com as vendas caindo com o tempo, por conta de seu alto custo. Em 1985, Jobs deixa a Apple e funda a NeXT, uma outra empresa de computadores.

Em ’86, Jobs comprou a Pixar e a transformou em uma outra empresa, rápidamente reconhecida, produtora de diversos filmes de animação por computador, tendo sido o primeiro na história o Toy Story, completamente animado por computador. Em 1996, a Apple – quase falida depois desses 11 anos sem Steve – compra a NeXT e o “passe” de Jobs em 97, e ele volta para a empresa que havia fundado.

iMacUm ano após seu retorno, a Apple lançou o primeiro iMac, produto de sucesso da Apple e que iniciou, mais uma vez, uma nova fase da computação pessoal. Os computadores eram bonitos, coloridos, com layout diferenciado. Esse layout foi imitado por diversos produtos no mundo todo, não apenas computadores. Dois anos depois, em 2000, surge a primeira versão do sistema operacional da Apple que mudou completamente a parte de softwares da empresa, e que é até hoje base do funcionamento de seus computadores: o Mac OS X, baseado em Unix (Free BSD).

Em 2001, Jobs mudou tudo, novamente. O iPod foi lançado e revolucionou a música como a conhecemos. Ele não inventou o MP3 player, no entanto, o seu tocador de músicas popularizou a marca da maçã entre os jovens, mudando a relação das pessoas com a forma como ouviam e consumiam músicas, junto com o lançamento 2 anos mais tarde da iTunes Store. O Walkman, que estava órfão, deu seu lugar preferido ao iPod.

Sem esquecer da evolução nos computadores pessoais, com os lançamentos do PowerBook – mais tarde substituido pelo MacBook e suas versões – e as versões desktop, tanto do Mac Pro quanto dos iMacs, e dando mais um passo rumo a intercompatibilidade (algo há muito reclamado por usuários e fornecedores) com a adoção da plataforma Intel, a Apple sob a liderança de Steve, faz sua jogada definitiva e irrevogável a caminho da computação pessoal móvel, ao lançar o iPhone e sua noví­ssima interface multi-toque, outra vez, replicada e imitada pela concorrência e igualmente divisora de eras. Entramos na Era iOS.

iPhone / iPad

Cada vez mais fundindo a computação portátil com a mobilidade, lançou mais tarde a linha de tablets iPad, aprimorou sua linha de celulares, introduziu as versões Touch do iPod e lançou a versão Air do MacBook, em conjunto com os serviços AppStore e iCloud, para dar apoio aos equipamentos, que cada vez mais reduzem o uso de mí­dias fí­sicas. O caminho a ser seguido é a nuvem.

Os ensinamentos

Jobs sempre foi obstinado. Sempre buscou a perfeição. Pregava que design não era somente ser bonito, equilibrado, legí­vel, era também ser útil. Era muito severo quando considerava alguma falha. Extremamente perfeccionista tanto com seu próprio trabalho, quanto de seus funcionários. Era capaz de dar broncas e reprimendas, deixando as pessoas desesperadas e humilhadas, no entanto, quem não se sentiu honrado de ter trabalhado com ele? Quem nunca trabalhou mais duro para receber um elogio do Jobs? As pessoas para ele não eram “ok”. Ou eram gênios ou completos idiotas. Ou as duas coisas em diferentes momentos. “Ok” era medí­ocre e ele não fazia nada com intenção ser ser medí­ocre, apenas o melhor.

No final desse texto, há um ví­deo do Steve Jobs, discursando para uma turma de formandos de Stanford. O tí­tulo deste post é inspirado nesse discurso, em minha opinião, inspirador e dificilmente igualável. As lições são valorosas e valem a pena pelo menos ouví­-las e pensar a respeito.

Eu hoje estou bastante triste. Pela primeira vez em minha vida, eu chorei por uma pessoa que não conheci. Talvez esse seja até um dos motivos desse choro. Infelizmente, não tive a honra de conhecer esse que há um tempo é uma inspiração. Mas, mais que triste, eu estou muito agradecido. Agradecido por seu legado, pelas mudanças que provocou no mundo, pela marca que deixou na história, pela inspiração.

Muito obrigado, Steve Jobs. Tentarei seguir esse seu ensinamento:

“Stay hungry. Stay foolish.”

Steve Jobs, 1955-2011

Fantástico, admirável ser humano que impactou o planeta e entrou para história e nossas vidas para sempre.