Organização do Campus Party derrapa nas curvas e morre na subida

Verdade seja dita, a turma de conteúdo está dando um show na composição do quadro de palestras e oficinas, mas o tempo todo parece que pouca gente pensou na estrutura. Todo o tempo somos surpreendidos com falhas de organização e novas “regras” que não foram previamente divulgadas – algumas até sem sentido. A primeira mais […]

Verdade seja dita, a turma de conteúdo está dando um show na composição do quadro de palestras e oficinas, mas o tempo todo parece que pouca gente pensou na estrutura. Todo o tempo somos surpreendidos com falhas de organização e novas “regras” que não foram previamente divulgadas – algumas até sem sentido.

A primeira mais chata e melhor engolida (eu não arriscaria dizer “aceita”) é a restrição de horários. Após meia-noite, ninguém entra, ninguém sai. Como assim? Cárcere privado? Isso é crime, sabiam? Durante os dois primeiros dias houve uma certa flexibilidade com relação a isso, mas ontem e hoje já tivemos problemas, por conta de UM participante que um segurança afirma tê-lo ofendido verbalmente.

Participantes se queixam da falta de respeito

Helon Majolo dando um jeitinho de comerA equipe de apoio e seguranças têm sido alvo de diversas reclamações por parte dos participantes que se queixam principalmente da falta de tato e de respeito mesmo. Ao serem abordados pelas equipes, alguns deles foram agarrados pelo braço com violência, afirmam, por conta de estarem fumando em local proibido. Outros foram expulsos de suas áreas por estarem comendo perto dos (seus próprios) computadores. Aparentemente não é uma regra geral, como reclamaram os gamers Henrique Vago e Daniel Fox, que tiveram que comer a pizza encomendada de pé e no extremo oposto do pavilhão.

Na área de games tem várias pessoas de fora do paí­s. Argentina, Colômbia, Espanha… Esses caras fumam e bebem o dia todinho e nenhum segurança vai lá importunar. Por que então eu não posso comer, não posso fumar… ? Por que os caras são de fora?

Mesmo que seja uma coincidência absurda eles não estarem presentes quando os outros participantes quebram as regras – o que acho difí­cil – não se deve criar regulamentos rí­gidos e permitir que parte dos usuários desobedeça. Mais que isso, não se deve criar regras no final do evento (como é o caso da comida na área do micro).

Wi-Fi pra que?

Um outro participante veio se queixar a mim sobre a impossibilidade de usar seu notebook na área das barracas. Ele abriu o equipamento para checar e-mails e foi interrompido por um segurança, com a afirmação de que era proibido usar o computador naquela área. Está escrito isso em algum lugar? Existe um aviso na parede? Eles fazem isso para todos? Essa última eu posso responder: NíƒO. Eu vi várias pessoas usando seus notebooks ontem e hoje ao lado de suas barracas.

Fora que o wi-fi está um lixo. Além de mal propagado, a conexão cai direto e não tem banda suficiente para atividades simples como enviar uma foto ao Flickr.

Alimentação – no se puede más

No site havia a informação: “durante o credenciamento o participante poderá comprar e pagar a cota de alimentação da semana”. Ao chegar no balcão para retirar a credencial, ninguém sabia como fazer para me atender. Tive que ir í  coordenação, que acionou a coordenação espanhola, que me negou ‘na lata’, com a simples frase ‘no se puede más’ e mais alguns termos que meu parco conhecimento de espanhol e a capacidade de interpretar um som com rotação 45, não me permitiram entender.

Restrito í  área de alimentação, não posso comer antes das 8h e depois das 21h, pois a área fecha. Mais que isso, a comida não é lá muito boa e é muito cara (para se ter uma idéia: hot-dog = R$6, refri lata = R$3, água mineral = R$3, sanduba ‘natural’ = R$7), além de se misturar com a área aberta do evento e ser extremamente barulhento.

Depois do primeiro dia e umas reclamações, o stand do primeiro andar agora funciona 24 horas, mas você mesmo tem que esquentar no microondas o seu sanduba / pipoca / whatever e não tem lugar para sentar. Se não se pode comer nas mesas dos computadores, pelo menos umas mesinhas com bancos deveriam haver por lá.

Ah! Mas tem a festa, né?

Sim, tem a festa, os contatos, as palestras interessantes, a vasta possibilidade de desconferências. Nem tudo é festa e oba-oba, apesar do nome do evento. Não entremos na onda de Gil, querendo estender o carnaval. Rolam muitas discussões interessantí­ssimas por aqui. Coisas que problemas como esse podem minar ao ponto de não haver um segundo evento ou não ser um sucesso (de participação) como esse.

Uilber disse:

Viemos ao Campus…
Mas cadê a Party!

Luiz disse:

Manoel, o que você está descrevendo é a campus party ou é o Woodstock? 🙂

Não fui ao campusparty, mas pelo que tenho lido, a única coisa que realmente valeu a pena é a reunião de pessoas interessantes, que pode ser feita sem a necessidade de um mega evento desses.
Claro que é difí­cil juntar tanta gente, mas se todos esses blogueiros podem se dar ao luxo de passar uma semana aí­, então podem se reunir mais vezes por ano durante um final de semana.

Creio que, a cem reais por pessoa, mais a alimentação que vocês gastam aí­, seria muito mais agradável fazer blogcamps mais organizados em pousadas ou algo assim.

Abraços.

Jonny disse:

Manoel…

Acho que voc~e estava presente quando o organizador perguntou como estava a banda…

ele disse que NíƒO EXISTE WI-FI no evento… Concluo que qualquer hotspot é não oficial, ou seja, pode até ser um hotspot com um sniffer sem vergonha! Levando em consideração a quantidade de entendedores de informática, eu resolvi parar de usar e trocar as minhas senhas não criptografadas (emails pop e senha do wordpress).

Uma coisa que eu pretendo reclamar com a Lu Freitas é o relaxamento na vistoria. Nos 2 primeiros dias eles me fizeram abrir a mala, revistaram tudo, etc…

Ontem eu já cheguei com meu notebook na mão e depois eles nem revistaram mais nada… minha mala sequer foi aberta!

O problema de usar equipamentos elétricos na área da barracas é a possibilidade de incendio… Essas lonas de barracas são extremamente inflamáveis. Basta uma pegar fogo para todas em menos de 10 segundos simplesmente sumirem!

Quanto aos horários, não poder entrar depois da meia noite é muito foda!!! não dá nem para ir jantar fora!!!

Abraços!

Renato Targa disse:

Tive essa mesma sensação. Faltou í  organização uma equipe que entendesse de PARTY, que soubesse criar mais condições para deixar as pessoas se sentindo bem e felizes.

A proposta é muito mais interessante que a concretização. Espero que nos próximos anos isso fique melhor.

Oi Manoel

Eu sou uma das participantes do MSCP e estou decepcionada com a cobertura bloguí­stica e twiterí­stica 🙂 do evento. A maior parte do que tenho lido é só carona na hype, isto é, o cara escreve qualquer coisa e anexa um #cparty ou uma tag campusparty e fica se olhando no telão.

E nem fica imaginando as bobas como eu olhando aquela tripa que virou o feed rss (#cparty) e tentando catar alguma coisa que preste no meio da baboseira.

Hoje, felizmente e por acaso, eu não vou trabalhar e vai ser possí­vel acompanhar alguma coisa. Então, que tal contar (com musiquinha e tudo) sobre as palestras\descoferências, …

abraço!

Lu Monte disse:

Comequié?! Geek não pode comer perto do próprio computador?! Onde é que esse povo pensa que a gente faz 90% das refeições?? No banheiro?!

O lance do horário, até entendo e é lí­cito se previamente informado. Pensionatos e empresas restringem horários de entrada e saí­da em nome da segurança.

giseli disse:

Pois é, meio lastimável o outro lado da moeda do CP. Deveriam, pelo menos colocar alguns integrantes brasileiros na organização do evento e terem flexibilidade. Aliás, organizar algo desse porte exige flexibilidade certo?
Acho que deverí­amos conversar com eles para eles saberem o que melhorar nas próximas edições (se é que estão dispostos a conversar). Nem me fale em alimentação, me sinto um animal enjaulado sem muitas opções, não dá para ficar saindo do ibira para ir comer e voltar. :/
Finalizando, foi legal bater papo contigo! 🙂