InterCon 2007 – Código Simples, Vida Simples

A segunda palestra do Intercon 2007 do primeiro dia (sexta-feira, 26) foi claramente direcionada para profissionais envolvidos na construção de um site, principalmente designers e desenvolvedores. O Élcio Ferreira, diretor da Visie, discorreu sobre o tema “Produtividade: Seja Simples” e conseguiu atingir diretamente mais de 80% da platéia. Profundo conhecedor de diversas linguagens de programação, […]

A segunda palestra do Intercon 2007 do primeiro dia (sexta-feira, 26) foi claramente direcionada para profissionais envolvidos na construção de um site, principalmente designers e desenvolvedores. O Élcio Ferreira, diretor da Visie, discorreu sobre o tema “Produtividade: Seja Simples” e conseguiu atingir diretamente mais de 80% da platéia.

Profundo conhecedor de diversas linguagens de programação, Élcio – um dos criadores do Tableless, junto com o Diego Eis – mostrou ser bastante articulado e um palestrante que prende a atenção do público. Sempre bem humorado, fez uma comparação interessante entre o “velho” modo de se fazer sites e o “novo” e melhorado modo, além da conhecida – entre nós – rivalidade entre a equipe de programação e de criação, mostrando que programadores e designers têm muito mais semelhanças que diferenças.

As diferenças são sempre evidenciadas, como a subjetividade do design versus a objetividade da programação; o questionamento de um versus a solução de outro; a elaboração de “briefing” versus o “questionário de levantamento de caracterí­sticas (de um sistema); a “carroceria” versus o “motor”. O que muitos não consideram e que foi citado por Élcio, relembrando uma declaração do Steve Jobs, é que design não é só aparência, é funcionalidade. Se seu design não é “usável“, ele simplesmente não deu certo.

Atrás da funcionalidade, em se tratando de sites, os desenvolvedores e designers têm estreitado as relações e trabalhado as diferenças para a adoção de um novo modelo de criação que facilite a vida de todos, satisfaça o cliente e possibilite uma manutenção sem dor, afinal, as três leis básicas do desenvolvimento são apenas duas: o cliente vai mudar de idéia. Assim, quanto menos doloroso for o processo de mudança, melhor.

Não há como evitar isso, mas podemos minorar os impactos

Uma das formas de se diminuir os transtornos causados pelas mudanças no [BP:Livros]escopo do projeto|gerenciamento projeto[/BP] é substituir o modelo de desenvolvimento velho. Se você segue um fluxograma onde: a) primeiro você elabora o projeto, dando ênfase a todos os detalhes possí­veis e imagináveis, interagindo com o cliente e não economizando em reuniões; b) cria o html antes, bem escrito e documentado, que servirá de base para os desiners e desenvolvedores; c) trabalha com a equipe de layout e desenvolvimento em paralelo, as chances de haver um erro diminuem consideravelmente e os impactos de correções necessárias também são muito reduzidas. Trabalhos distintos, ambientes distintos. É o fim da sobreposição de arquivos no servidor de testes ou de produção.

Uma segunda forma é alterar o fluxo do trabalho. No modelo mais aplicado no mercado, desenvolvemos o projeto e damos um prazo para concluir, testar e apresentar. Normalmente, só após o site estar completamente pronto, o cliente solicita alterações – que podem ser simples como alterar a cor de uma letra ou complexas como “não sei bem o que é, mas está faltando alguma coisa”.

No modelo “[BP:Livros]Desenvolvimento ígil[/BP]”, apresentado pelo Élcio, a equipe estipula prazos pequenos para entregar funcionalidades e todas são testadas e homologadas pelo cliente em um tempo curto (Figura abaixo). Dessa forma, você pode fazer pequenas alterações no escopo do projeto, otimizar telas, adicionar recursos que não foram pensados antes e testar no ambiente do cliente, como o seu público-alvo, seus usuários vão se relacionar com seu sistema/site. Aos poucos, em doses homeopáticas, o cliente vai acompanhando a evolução do trabalho, adota uma postura muito mais participativa e consegue ser atendido no prazo com um produto que ele próprio ajudou a desenvolver.

Desenvolvimento ígil

Nessa palestra eu fui um dos blogueiros convidados e pude acompanhar bem de perto – na lateral do palco – além de fazer a primeira pergunta ao Élcio, que não poderia deixar de ser: como convencer o mercado a investir em padrões web, usabilidade, acessibilidade, se muitas vezes o cliente quer marcar presença na Internet, mas não acredita ou não valoriza esse meio? A resposta clara e direta foi a que eu esperava: use, faça, invista. Se você faz seu trabalho da forma correta e continua praticando os mesmos prazos e preços que pratica normalmente, muito em breve o mercado estará utilizando padrões sem ao menos saber – pois o seu cliente não precisa decidir qual tecnologia você utilizará em seu trabalho.

Saiba mais sobre o InterCon 2007

[tags]Evento, Simplicidade, Desenvolvimento,Design, Web, InterCon2007[/tags]

[BL:Livros]Usabilidade, Acessibilidade, Design, Programação, Padrões Web[/BL]

Katia disse:

O InterCon 2007 alcançou seu objetivo, é uma nova forma de fazer um evento de tecnologia web no Brasil. Gostaria de informações sobre outro evento do gênero que vão acontecer aqui no brasil em 2008. BJS

Thássius disse:

Excelente texto, assim como é excelente a comparação entre o método “antigo” e o método “novo”. Entendo que o mercado vai acabar forçando o próprio mercado a investir usabilidade, acessibilidade etc.

Muito show a palestra do Elcio..

Salve, Manoel!

Obrigado pelos comentários sobre a palestra. Foi um privilégio ter você no palco.

Publiquei os slides para o pessoal:

http://www.slideshare.net/elciof/produtividade