Google Glass na promoção

“Olha o Google Glass na promoção! Na minha mão é mais barato!”. Já pensou em passar na rua e presenciar essa cena? Qual será o seu celular à época? De vestir? De usar?

Google Glass

Há alguns anos, aqui em São Paulo, eu me espantei (só um pouco, verdade) quando passei por um camelô e ele me ofereceu, entre chicletes e pentes, pendrives e cartões de memória. Ora, na época isso não era tão barato como hoje, mas os comerciantes das ruas já antecipavam o movimento.

Eu fico imaginando daqui um tempinho o vendedor anunciar: “Olha aí o Google Glass na promoção! Tem do Google, da Toshiba, da Apple e tem também o genérico, baratinho!”. Não demora, hein?

Computador para vestir

Telepathy Smart GlassesFaz muito tempo que nós chegamos lá. A primeira vez que ouvi falar do assunto, era sobre um (na época) aluno do MIT, no início dos anos 2000, que já vestia um computador e era conhecido na Internet por seu projeto (que iniciou nos anos 90). Não era nada leve, era uma roupa mesmo, completa, mas com placas de circuitos, HDs, webcam, teclados e tudo o que um computador “normal” apresenta, só que em forma de roupa. E ele transmitia direto de seus óculos 24 horas por dia. Steve Mann hoje é reconhecido como the Father of Weareable Computer.

Atualmente, a guerra pelo computador acessório de moda está muito mais avançada, claro. A computação evoluiu ao ponto de caber na mão e em pouquíssimo tempo evoluiu para o pulso e o rosto, como um óculos. O fácil acesso à tecnologia facilitou a competição, e isso é ótimo para nós, os consumidores.

Muito se engana quem pensa que o maior concorrente do Google Glass será o iWatch, o relógio-boato-computador da Apple, que também saiu direto dos filmes antigos de “como será o futuro”. O mero anúncio de um produto em desenvolvimento, há vários meses (arrisco dizer que mais de um ano), fez a concorrência correr atrás e já temos hoje, anunciados, pelo menos mais 3 concorrentes ao smartglass da gigante das buscas.

E aí, será que vai pegar?

Como cético de carteirinha para mercado e produtos, mas reconhecendo a inovação que um produto desses agrega, eu acredito que vai vender como água, mas não vai ser algo que as pessoas vão usar no seu cotidiano, pelo menos por enquanto. Vejam os tablets, por exemplo. Venderam muito e continuam vendendo, mas seu uso “hardcore” e “para o que foi criado” é restrito a um determinado nicho. Muita gente comprou e hoje quem mais usa é o filho ou o sobrinho, pra jogar e ver filmes da Galinha Pintadinha. E não estou falando das pessoas que compraram exatamente para seus filhos e sobrinhos. Falo de herdar, por falta de uso.

Nas empresas também tem gente que vai nas reuniões com seus tablets. Alguns motivos mais comuns: tirar onda; procrastinar sem que as pessoas percebam (eles acham que a pessoa está fazendo anotações); deixar de prestar atenção sem ser recriminado (um notebook aberto é quase o mesmo que falar alto); realmente fazer anotações (mas tirando onda).

Gadgets como o Google Glass serão muito úteis em atividades específicas, onde usar as mãos atrapalha e o computador seria útil. Como, por exemplo, usar o GPS enquanto se está de moto ou bicicleta. Olha que fantástico! E imagine só um serviço de tradução simultânea que projete legendas no seu smartglass enquanto você está assistindo a uma palestra em outro idioma. Chega daqueles zumbidos chatos que atrapalham as pessoas ao lado na platéia. Uma câmera de estacionamento que transmita direto para sua lente enquanto você tenta encaixar seu veículo numa vaga.

Vuzix M100 Smart Glass

Mas eu consigo imaginar diversas atividades em que o aparelhinho seria proibido, talvez recolhido e por esse motivo as pessoas deixariam de usá-lo no cotidiano para evitar o transtorno. Banheiros de uso público, qualquer tipo de provas e exames, consultórios médicos e ambientes hospitalares, reuniões, cinemas, teatros, shows de música e esportes, e por aí vai. Fora os tradicionais encontros de amigos em que as pessoas vão te perguntar o tempo todo se está prestando atenção ou perambulando no Facebook, enquanto você tentar terminar a maldita fase 65 do Candy Crush.

Então o Google Glass será um fracasso

Definitivamente, não. É um produto sensacional, inovador, a materialização dos desejos de muitos de nós (o que falta, carro voador e tele-transporte?). Algo que pode revolucionar a forma como nos comunicamos com computadores e através deles com outras pessoas. Pode revolucionar até mesmo a medicina, no campo das micro-cirurgias. O smartglass tem um enorme potencial.

Porém… ele terá várias restrições sociais, culturais e éticas – principalmente no início – que imporão barreiras ao seu uso. Talvez barreiras intransponíveis. Talvez não.

Ou, quem sabe, os smartglasses não sejam nada disso que eu espero que sejam e se limitem apenas ao entretenimento. Como o Kinect, com todo seu potencial inexplorado sendo direcionado apenas para games (sim, eu sei que existem muitas experiências diferentes com o gadget, mas nenhum produto matador ainda, se é que existirá).

Mas essa é só a minha opinião (e filosofia de bar). Qual a sua?

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