Facebook pode ser usado para manipular suas emoções

O Facebook fez estudo comportamental em nossa timeline. O que nós podemos aprender com isso? Que tipo de perguntas devemos nos fazer sobre manipulação de emoções?

Facebook manipulation

Essa foi a conclusão de um estudo realizado pelos pesquisadores do próprio Facebook e publicado em forma de artigo científico. O estudo em si não é muita novidade, já que sabemos que o ser humano é influenciável pelas emoções do meio – não importa se o meio é digital ou não. A conclusão é que precisa ser outra.

O estudo conduzido com a nossa permissão – ao concordar com os termos de uso da rede social de Mark Zuckerberg – manipulou o newsfeed de cerca de 600 mil usuários, selecionando aleatoriamente os perfis que receberiam mais textos e notícias negativas ou mais positivas. Com base nesse filtro, os pesquisadores avaliaram se essa exposição ao positivismo ou negativismo faria diferença nos posts que os usuários compartilhariam. E, como esperado, fez. Os participantes do teste foram “contaminados” pelas emoções dos seus amigos, passando a também disseminar o mesmo.

Com base nesses resultados o que devemos considerar? O fato de estarmos utilizando um serviço gratuito e que nós o pagamos com nossos dados e nosso comportamento – e até concordamos com isso ao utilizar – faz com que nos tornemos reféns dos filtros que a empresa quiser aplicar. E já aplica, segundo eles, para que nossa timeline tenha mais relevância para nós mesmos. Mas nós sabemos que é uma empresa que busca rentabilizar o máximo de seus serviços (e nossos dados, matéria prima), certo? Quem nos garante que os filtros já não estão sendo (ou não serão) vendidos?

Uma situação hipotética de uma marca

Imaginemos que determinada marca teve algum problema com um de seus consumidores e causou o que o pessoal de marketing costuma chamar de “crise”. Vários usuários compartilhando o tal problema, alguns comentários atacando a empresa, alguns defendendo (com ou sem interesse, afinal, toda marca tem haters e lovers).

Se a pesquisa concluiu que nós somos influenciados por textos polarizados, com a tendência de acompanhar a polaridade da coisa, o que impediria a marca com problemas de comprar esse filtro? O Facebook poderia muito bem ocultar os posts negativos da timeline dos usuários e exibir apenas os posts positivos.

Sentiu?

Uma situação mais próxima de nós: o Mundial que sediamos

Nós acompanhamos durante praticamente um ano uma série de protestos acontecerem contra a Copa do Mundo no Brasil, certo? Esses protestos aconteciam também nas redes sociais, com compartilhamentos diários conclamando a população, fazendo denúncias, acompanhando de perto as obras intermináveis.

Aí o evento começou. Houve uma crítica maciça da abertura simplória e depois as coisas foram se “acalmando”. Você percebeu que a quantidade de “haters” no Facebook reduziu a praticamente zero? Onde estão os posts de protestos, as notícias de jornais e portais criticando a organização, as obras, os desvios de verba e uma série de outros problemas? Porque essas matérias continuam saindo, poucas, mas existem.

Será que os brasileiros desistiram de protestar? Será que foram contagiados pelo clima de festa? Será que mudaram de opinião? Ou será que a mídia está sendo manipulada, comprada, e os filtros do Facebook estão nos impedindo de ver as poucas coisas que ainda saem com viés negativo?

Muita teoria da conspiração? Talvez sim, talvez não. O que você acha?

Comentários sobre "Facebook pode ser usado para manipular suas emoções"