Comércio Eletrônico Colaborativo

Em tempos de Web 2.0, talvez você já tenha ouvido bastante a palavra “colaborativo” pela Internet afora. E agora então você deve estar se perguntando como pode haver um comércio eletrônico nesse modelo, afinal, no comércio existem basicamente dois lados: quem vende e quem compra, certo? Ano passado, eu fui apresentado ao Camiseteria.com, um site […]

Em tempos de Web 2.0, talvez você já tenha ouvido bastante a palavra “colaborativo” pela Internet afora. E agora então você deve estar se perguntando como pode haver um comércio eletrônico nesse modelo, afinal, no comércio existem basicamente dois lados: quem vende e quem compra, certo?

Ano passado, eu fui apresentado ao Camiseteria.com, um site onde os produtos í  venda (se você não conhece, já deve ter deduzido que obviamente são camisetas) são criados e escolhidos pelos próprios consumidores. Qualquer um se cadastra, cria uma estampa de camiseta e envia para o site, submetendo-a a uma votação entre os usuários. As mais votadas são impressas e vendidas no site. Os autores das estampas vencedoras ganham um prêmio em dinheiro e produtos do próprio site, além de fama.

O modelo de negócio, inspirado no Threadless.com – site de grande sucesso dos EUA que chega a pagar US$ 2.000 para os vencedores – deu tão certo no Brasil que já criou em torno do site uma grande comunidade fiel e ativa, entre fãs, amigos e consumidores, além é claro, de já ter inspirado concorrentes, como o Jaeh!.

“Nossa maior preocupação no começo foi criar a massa crí­tica que permitisse o site crescer e aparecer. Felizmente o boca-a-boca dos próprios usuários permitiu que atingissemos a massa crí­tica de usuários rapidamente” – diz Fábio Seixas, sócio e responsável pela parte técnica do site. “No Camiseteria criamos ferramentas para motivar e alavancar a comunidade do site permitindo que eles criem conteúdo” – explica.

Um bom estí­mulo para esse boca-a-boca é oferecer pontos, que serão trocados por produtos, aos usuários em determinadas operações de divulgação. Tanto o Threadless quanto o Camiseteria adotam esse sistema. Fábio diz que “O usuário ganha pontos indicando amigos, enviando fotos ou ganhando o concurso. Esses pontos podem ser utilizados para comprar nossos produtos. Em paralelo, mantemos um programa de afiliados comissionados, mas apenas para parceiros estratégicos.”

Mais que um e-commerce

A idéia de permitir que o cliente escolha oque será produzido e vendido é muito interessante e tentadora, pois pode parecer que ao montar um site desses é garantido 100% de sucesso, nenhum produto “encalhado” no estoque, afinal foram os próprios clientes que escolheram. Ledo engano, quem pensa que é mais fácil ser colaborativo.

Além de manter ferramentas de interação com a comunidade, o site precisa dar conta do alto tráfego gerado pelos acessos, garantir a segurança nas compras através de polí­ticas bem definidas, ferramentas e certificações, implementar formas de pagamento online que viabilizem as vendas, montar uma estrutura de logí­stica adequada com a demanda, além de cuidar da parte de produção das camisetas – escolher, comprar malha, montar, imprimir, testar a qualidade, estocar, etc.

“As vendas são em sua maioria pra usuários que frequentam a comunidade, mas existem aqueles que estão interessados somente nos produtos”, conta Fábio. Por isso, não é só a parte de interatividade que tem de estar afiada. Fábio sabe disso e nos conta que escolheu a plataforma dotNet com Ajax.net, para agilizar o desenvolvimento, além de contar com o “certificado de segurança, que garante as transações comerciais”.

Oque engorda o gado é o olho do dono

O ingrediente principal para o sucesso de um e-commerce colaborativo é o atendimento. Estar atento ao que está sendo enviado, sugerido, aos comentários nos produtos e dentro da própria comunidade, respondendo sempre no menor tempo possí­vel tem um impacto muito positivo sobre os clientes. Fica muito mais interessante se os próprios donos estão envolvidos nesse processo.

O canal aberto de comunicação, a criteriosa filtragem de conteúdo danoso ou ofensivo, o retorno aos anseios, sugestões e reclamações são pontos cruciais, de decisão, para os possí­veis compradores e prováveis disseminadores do negócio. Um site colaborativo sem participação dos usuários não convence. Se essa participação cai no vazio, não tem o retorno merecido, morre em pouco tempo.

Mais que planejamento e organização, o site precisa estar sempre antenado em novas funcionalidades, formas de pagamento, ferramentas que facilitem a vida do cliente, reduzam custos de operacionalização e otimizem processos. É fundamental viver o negócio, não encará-lo como um trabalho e sim como um prazer.

“Faça mais que uma loja. Dê motivos para o usuário voltar, mesmo que não seja para comprar algo ou simplesmente pesquisar preços.” – Dica do Fábio.

NOTA: A expressão “comércio colaborativo” existe como definição ao site cujos parceiros e fornecedores possuem seus sistemas integrados, num esquema B2B. Também chamado de c-Commerce. Opinião pessoal, essa definição não foi feliz.

Manoel Netto disse:

Thássius, na verdade essa atividade é comumente chamada de “jornalismo colaborativo”. Tomei conhecimento dela há poucas semanas numa propaganda na TV. Achei legal a iniciativa e tem chance de emplacar.

A Readers Digest já faz isso há vários anos, mas com poucas sessões da revista.

Abraço

O “comércio colaborativo” já um sucesso e só serve mesmo para fortalecer a web 2.0. Mas não é só em sites que está presente. Por exemplo, a editora Abril lançou há pouco tempo a revista “sou + eu”, na qual a maior parte do conteúdo é produzido pelas leitoras e colaboradoras (o conteúdo é voltado para mulheres).