BlogCamps e a participação descentralizada

O modelo adotado pela comunidade BlogCamp Brasil já é por si só descentralizado. As conversas acontecem em ambientes distintos, os participantes interagem livremente, respeitando o espaço e o tempo do outro, os temas são escolhidos na hora, de acordo com a demanda dos participantes. Esse é o modelo BarCamp (com pequenas diferenças que ainda estão […]

BlogCamp MG 2007O modelo adotado pela comunidade BlogCamp Brasil já é por si só descentralizado. As conversas acontecem em ambientes distintos, os participantes interagem livremente, respeitando o espaço e o tempo do outro, os temas são escolhidos na hora, de acordo com a demanda dos participantes. Esse é o modelo BarCamp (com pequenas diferenças que ainda estão sendo lapidadas).

Hoje, porém, elevamos esse modelo para um patamar ainda mais interessante e definitivamente descentralizado. O BlogCamp MG está acontecendo nesse fim de semana em Belo Horizonte e eu, gripado, participei ouvindo e dando meus pitacos via Skype daqui de Londrina / PR (ou como diz o Fugita, de Londrina, um bairro de São Paulo).

A estrutura utilizada não tinha nada de profissional. Rede wi-fi interna fazendo a cobertura para que os participantes do evento pudessem acessar a Internet da faculdade, um notebook conectado ao Skype em uma ponta, e outro na outra ponta. No meio, apenas a Internet, não só compartilhada pelos vários desconferencistas (alguns fazendo streaming de audio e video), mas pelos outros usuários dos diversos provedores que faziam a interconexão. A qualidade do audio? Perfeita. Um pequeno lag de menos de 2 segundos e o som alto e claro nas duas pontas. O ví­deo eu estava vendo em streaming por outra conexão via http mesmo. O bom e velho UStream.tv.

BlogCamp MG 2007 : AuditórioAssim como a filosofia do BlogCamp, que é um evento gratuito e não-jabazí­stico, utilizando estruturas cedidas normalmente por faculdades, essa interação, que aconteceu de forma totalmente não-planejada e espontânea (bem no estilo “leva lá o notebook que eu quero fazer uma pergunta” – thanks to Mobilon), não precisou de grandes estruturas de video-conferência, câmeras profissionais, conexões dedicadas e etc para fazer com que a comunicação acontecesse. Soluções simples, acessí­veis e baratas que podem atender muitas situações – como julgamento remoto de criminosos de alta periculosidade – e não são usadas, ou melhor, são subutilizadas como única e exclusivamente ferramentas de entretenimento.

Esse modelo de participação remota pode e deve evoluir ao ponto de podermos garantir a participação de algumas pessoas que estão distantes demais para estarem presentes. Imaginem a riqueza de um evento como esse com a presença virtual de um blogueiro internacional conhecido, um diretor de grande empresa numa discussão relevante, um grupo ativista, etc. Não somente para BlogCamps e todos os outros Camps existentes. Vamos ampliar a visão.

O tema e minha participação

Mais uma vez discute-se monetização em encontros da blogosfera. Felizmente hoje já se fala com muito mais conteúdo sobre profissionalização dos blogs, discute-se os parâmetros e claro, ainda se atira muito no escuro. Há de se dar um desconto.

A Internet no Brasil é algo tão novo que nem mesmo sabemos lidar com ela direito, imagina com os blogs, que são coisas ainda mais recentes e – desde que surgiram – em constante mudança. Blogs já foram diário virtual, álbum de fotos, comunidade, rede social, perda de tempo total, ferramenta de ganhar dinheiro, coisa pra ficar famoso, repositórios de conteúdo, agregadores de notí­cias, geradores e formadores de opinião e por aí­ vai. Muitos desses rótulos você ainda pode aplicar hoje a vários blogs que existem e continuarão existindo.

Agora, se é tão difí­cil para nós entendermos essa tal de Internet, imagine para os nossos clientes, para os anunciantes, os empresários, os executivos. Internet é terra de ninguém, onde não há controle das informações – esse é o pensamento da maioria. E para vender a idéia de blog para essas empresas, é preciso primeiro vender a idéia da Internet e do que ela pode proporcionar de retorno, de que forma e em quanto tempo.

Isso tudo foi só para ilustrar e defender a idéia de que os anúncios contextuais que pagam por clique ou exposição não estão fadados ao esquecimento (não tão cedo), e nem os blogs estão acabando, pelo contrário. Os blogs tem tanto potencial que seu modelo e suas ferramentas estão sendo adotadas pelos veí­culos tradicionais, revistas, portais, jornais. E os anúncios que pagam por clique continuarão existindo porque são uma ótima ferramenta de convencimento para o anunciante. Ele só paga se receber o clique.

O modelo não vai morrer, mas precisa de cirurgias reparadoras

Obviamente, o clique não basta para o anunciante. No iní­cio ele fica feliz e satisfeito com a quantidade de visitas que seu site recebe vindas dos anúncios, depois ele fica sabendo que seus visitantes passam em média 5 segundos no site e vão embora. O cliente quer resultado e os mais radicais vão optar por anúncios que pagam por ação (CPA – um download, uma inscrição, etc), mas o modelo por clique tende a evoluir pois é funcional. O grande problema hoje é a exibição dos anúncios em textos sem relevância (o velho conhecido caça-paraquedista). Claro que existem também anúncios feitos para caçar para-quedistas, mas esses são cobras criadas e não entram no papo, pois nunca deixarão de utilizar o serviço.

Pois bem, considerar que os cliques ruins, aqueles que são oriundos que um clique errado (posicionamento de anúncio que estimula o clique), aqueles que não são para seu público-alvo e que não vão gerar nenhum retorno, nem de vendas nem de boca-a-boca; considerar que esses cliques são a mesma coisa que a fatia não atingida pelos comerciais de 30′ da TV é um tiro no pé. A Internet tem o diferencial de vender sua marca diretamente ao seu público, direcionar sua publicidade, personalizar sua “cara” online. Não podemos nunca comparar com a TV, muito menos cometer o mesmo equí­voco de justificar o tal tiro de bazuca para matar uma mosca. Precisamos encontrar as soluções para que isso não aconteça.

O próprio Google anunciou essa semana que os espaços em branco de seus anúncios deixaram de ser clicáveis. Isso não era um bug, mas não deixa de ser uma falha – que eu acredito intencional. Mais: essa atitude – que começou lá atrás com as mudanças nas regras de posicionamento e cores dos anúncios, revertendo as “dicas de otimização” que o próprio Google dava – tem como objetivo principal evitar os cliques por engano. Dentro desses passos, outras atitudes serão tomadas para evitar que textos de má qualidade pareçam relevantes, evitando a fuga dos anunciantes (a bolha AdSense). O Google está fazendo a parte dele para manter seu modelo de negócios. E você, está fazendo o que?